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CASA MIRANTE 2018-04-13T16:09:17+00:00

Project Description

CASA MIRANTE

Dados Técnicos

Localização: Aldeia da Serra, SP, Brasil

Tipo de Construção: Residencial Unifamiliar

Área do terreno: 900m2

Área construída: 815 m2

Equipe

Autores: Fernando Forte, Lourenço Gimenes, Rodrigo Marcondes Ferraz

Coordenadores: Ana Paula Barbosa, Gabriel Mota, Luciana Bacin, Marília Caetano, Sonia Gouveia

Colaboradores: Carmem Procópio, Juliana Nohara, Ligia Meirelles, Thiago Pimentel

Estagiários: Cláudia Bicudo, Fernanda Silva, Henrique Abduch , Julian Seifert, Luiz Falavigna, Mariana Schmidt , Nara Diniz, Patricia Kupper, Rodrigo de Moura, Rodrigo Oliveira, Yara Bello,

Fotógrafos: Rafaela Netto, Renato Caiuby

O terreno determinou a lógica de concepção desta residência, desde os estudos. Algumas características do local são especialmente marcantes –lote extenso, de largura ligeiramente variável, em declive acentuado. Em sua extremidade norte há uma linda vista, composta por um lago artificial. Duas construções vizinhas sombreiam e causam sensação de pouca privacidade nas laterais superiores do terreno.

Havia o desejo dos espaços sociais e de convívio ficarem voltadas para o lago, a para norte, ao mesmo tempo em que existia a necessidade de se evitar ao máximo a sensação de estrangulamento que os vizinhos causavam. A partir dessas determinantes locamos a residência na porção central do lote, em posição privilegiada em relação as construções existentes e garantindo a interessante vista para os espaços sociais. Por conta do comprimento longitudinal da construção, optamos por criar pátios semi-internos que ventilam e iluminam a casa, além de proporcionar maior relação com a natureza, desejo dos proprietários.

Com essas premissas lançamos mão de uma estrutura simples, metálica, que vence vãos transversais variáveis de cerca de 11 metros. Essa estrutura seria o item organizador do espaço e estaria locada exatamente no limite dos recuos obrigatórios, além de ter presença marcante na estética da construção. A residência surgiria de fato através lajes recortadas apoiadas sobre esta estrutura primária, e a grande maioria das vedações seria em vidros temperados nas bordas dessas lajes, amplificando a importância da estrutura. Essa concepção recortada das lajes, quase orgânica, da espacialidade da edificação garantiu iluminação e uma relação muito estreita com a natureza. Já o andar superior, intimo, é tratado como um bloco irregular apoiado nessa estrutura, e é muito mais vedado do que os outros andares. Os espaços residuais sobre as lajes de cobertura do bloco social transformam-se em terraços ajardinados descobertos.

Em ambas laterais da estrutura, no limite do recuo, descoladas da residência propriamente dita, foram aplicados brises verticais com espaçamento variável (espaçamento este calculado em função dos espaços internos, vistas e vizinhos) que ficam sustentados através da estrutura primária. Esses brises se projetam em ambas extremidades, e trabalham como um envelope de toda a construção, organizando-a e agindo como um filtro entre o externo e o interno.

O projeto busca ampliar as experimentações do escritório com os limites de percepção interno versus externo através de um jogo entre término da estrutura, posicionamento de vedações, vazios, brises externos e paisagismo, elevando os espaços laterais de recuos, geralmente relegados, a uma posição de protagonistas do cotidiano dessa construção.